Reforma tributária e condomínio: a taxa vai subir?
O condomínio edilício não é contribuinte de IBS e CBS — a cota condominial é rateio de despesa, não receita. Mas os prestadores que ele contrata são, e o custo chega ao boleto.
Circulou muita informação desencontrada sobre a reforma tributária e os condomínios — inclusive a de que a cota condominial passaria a ser tributada. Não é isso. Mas o boleto deve subir mesmo assim, e por um caminho indireto.

O condomínio não é contribuinte
Pelo artigo 26 da LC 214/2025, o condomínio edilício não é contribuinte do IBS nem da CBS. A lógica é direta: a cota condominial, ordinária ou extraordinária, é rateio de despesa comum entre os condôminos — não é receita de atividade econômica.
Ou seja: não haverá IBS/CBS incidindo diretamente sobre a taxa que você paga todo mês.
Então por que o boleto sobe? Porque os prestadores de serviço contratados pelo condomínio são contribuintes: empresas de limpeza, portaria, segurança, manutenção de elevadores, jardinagem, administradora. Todos eles passam a operar dentro do novo sistema e tendem a repassar o custo tributário aos contratos. O condomínio absorve esse aumento e o distribui no rateio. Estimativas de mercado apontam elevação na faixa de 2% a 7% nas taxas condominiais.

A exceção: condomínio que tem receita própria
Muitos condomínios têm receitas além do rateio: aluguel de espaço para antenas de telefonia, exploração publicitária de fachada, locação de salão de festas para terceiros, estacionamento rotativo. Essas receitas têm natureza econômica e mudam a análise.
A legislação prevê a possibilidade de opção pelo regime regular para condomínios nessa situação — decisão que deve ser tomada com assessoria contábil e jurídica, porque envolve obrigações acessórias e apuração de créditos.
O que síndicos devem fazer agora
- Mapear os contratos com prestadores e verificar cláusulas de reajuste e repasse tributário
- Pedir simulação aos fornecedores sobre o impacto esperado nos valores
- Revisar o orçamento do próximo exercício considerando essa elevação
- Identificar receitas próprias do condomínio e avaliar o enquadramento
- Comunicar com transparência aos condôminos, explicando a origem do aumento
O ponto sensível: comunicação
Aumento de taxa sem explicação clara gera conflito e desgasta o síndico. Vale apresentar em assembleia a composição do reajuste — quanto vem de contrato de portaria, quanto de limpeza, quanto de elevador — mostrando que não é decisão discricionária da administração.

Como isso afeta quem aluga
Aumento de condomínio impacta diretamente o custo mensal do inquilino, já que a cota ordinária é despesa dele. Isso pode pressionar negociações de renovação. Veja a divisão de despesas na locação e como funciona o fundo de reserva.
Perguntas frequentes
A taxa de condomínio vai ser tributada pela reforma?
Por que a taxa de condomínio vai aumentar então?
Condomínio que aluga espaço para antena paga imposto?
O que o síndico deve fazer para se preparar?
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